Voltei

Vai ter chuva de texto por aqui outra vez. Bom, chuva de texto mesmo nunca rolou nesse blog, mas agora uma presente tempestade, ao menos, eu garanto. Muito possivelmente serei eu a mais entusiasta de toda essa água, amo esse entusiasmo e está tudo bem. Se você for de ler novas palavras escritas, divirta-se. Aviso também, falando em amor, que garanto amadorismo. Como não estudei letras - foram mais as notas e as letras em cima delas - só amar salva essa minha necessidade de escrever; quem ama muito, move. ;-)

O poema abaixo foi feito hoje, há poucas horas, sem nome e sem livro porque o segundo livro tá lá no futuro. É, sou amadora a esse ponto. =) 

 

Decidindo fazer o que queria

imaginava, mas não sabia

da importância que aquela outra perderia.

Uma outra que ela mesma não podia

com a força que acendia todo dia

retirar da uma vez da sua forma.

Uma coisa de temperatura morna

cujo preço só se paga com o tempo,

animal de genial funcionamento

que por ela procurava toda sorte,

mas levava sempre alguma coisa embora

aumentando em um segundo cada hora.

A cobrança era sempre alguma morte.

Não há pessoa honesta que assim suporte

sobrepairar a euforia ou a mágoa

e uma mulher - mesmo que forte - sempre chora

mesmo sem som, mesmo sem porte, mesmo sem água,

mesmo sorrindo por fora,

uma mulher sempre chora

quando enxerga o horizonte

e certa coisa devora

a sua força na fonte.

Onde está o impulso de viver?

Onde está o viver em cada bicho?

Decidindo o que queria fazer

sem saber ela apontou pro lixo

a fruta apodrecida do prazer.

Decidindo fazer o que queria,

imaginava, imaginava, imaginava,

mas não sabia.

Dentro dela uma espécie era gerada,

outro código que tímido pensava

e existia.  

 

 

 

Alumbramento Coletivo

"Certezas Inacreditáveis" é o nome do novo show cujas fotos, músicas e depoimentos você pode ver, ou já deve ter visto, na home desse site! =) É também o nome do disco que vamos gravar, finalizar e lançar junto com você que está nos lendo! Neste plural estou eu, Luiza Borges, cantora que criou o projeto em  2014, e uma equipe que foi crescendo até chegarmos a esse momento coletivo!

Tudo começou depois que encerrei quase dois anos de shows de lançamento do meu primeiro disco, o "Romanceiro". Eu sentia vontade de representar outras músicas e mensagens e iniciei nova pesquisa de repertório, foi quando me deparei com a composição de Thiago Thiago de Mello e Edu Kneip: "Certezas Inacreditáveis". Assim que escutei fiquei imensamente feliz, era o nome e o norte do show!

Seus versos "na correnteza deixei a certeza de nunca crer no que não se vê e acreditando fui relampiando e me desafiando a poder enxergar, esse segredo não é arremedo, eu juro tão cedo jamais duvidar do que há", falaram alto ao meu coração. Me trouxeram um personagem que ao se ver de encontro consigo decide não mais duvidar de suas verdades, de suas certezas  mais íntimas, de sua relação com a realidade que o cerca.

Era exatamente esse o espírito que já aparecia em todo novo repertório, então a canção virou o título do trabalho! De maneiras diversas as músicas de "Certezas Inacreditáveis" nos direcionam para um auto contato e instigam nossa expressividade, juntas viram um incentivo para que toquemos nossos universos íntimos e com eles (re) vivamos o mundo externo.

Desde Outubro do então 2014 até Dezembro de 2015 o show percorreu mais de 10 teatros no Rio e o repertório foi ampliado, testado, transformado e sempre muito bem recebido! Sempre também apresentado no formato voz e violão, ao lado do grande violonista e parceiro de trabalho André Siqueira. Já na estreia o pessoal perguntava quando teria ou se já havia CD!

Chegou 2016 e senti que não devíamos mais esperar o patrocínio chegar, com tantos amigos e ouvintes queridos desejando e indagando por esse disco, considerando a vontade de a aprofundar as possibilidades de comunicação com todos aqueles que passam pelos meus trabalhos, o financiamento coletivo me pareceu o caminho mais sincrônico de todos! 

Juntos, sei que é possível caminharmos em direção ao lugar mais interessante do amanhã, como diz a música título do disco: "tem que acreditar, não é lenda, eu vi", e eu acredito! ;-)

As recompensas desse financiamento foram pensadas para que estejamos de fato trocando e construindo algo que seja bom para todos os envolvidos. Se as músicas aqui explanadas lhe interessarem e inspirarem, que bom será poder contar com seu investimento anterior para que elas cheguem a você posteriormente! Mas, porque não ir além? Aqui lhe oferecemos desde aulas de voz falada e cantada (particulares ou em grupo) até audição das canções do disco com café da manhã saudável e sessão de acupuntura! Sim, incentivar o auto-contato e a comunicação não é só uma característica do disco, é um posicionamento da artista que voz fala e eu desejo que possamos ampliar essas experiências ao máximo durante esse processo inacreditável de certezas! =)

Vamos à equipe envolvida no projeto: adaptando e ampliando os arranjos de show para o CD temos o já citado André Siqueira, que assina também a direção musical. Na produção musical contamos com o trabalho maravilhoso e minucioso de Tássio Ramos, que também somará com seu baixo elétrico. Super Pantico Rocha assume a bateria e ao longo da obra poderemos ouvir as participações fina-flor de: Rodolfo Cardoso, Denize Rodrigues, Bernardo Aguiar, Carlos Malta, Luiz Augusto, Bernardo Diniz e André Geiger. O disco está sendo gravado com João Ferraz, no estúdio Lontra e Henrique Vilhena assume a mágica da mixagem, Luiz Tornaghui na masterização. Ainda temos a sorte de ter Marcelo Fedrá nos registros visuais e Pedro Garcia na arte da capa e do livreto do disco. Além, é claro, da galera do Embolacha, parceiros que conheço desde que distribuí com eles meu primeiro CD.

A grana do financiamento irá precisamente para o pagamento do estúdio de gravação, da mixagem e da masterização, da prensagem, de alguns pequenos custos de produção e do lançamento do álbum, além é claro de cobrir as próprias recompensas.

Os compositores-maravilha presentes no projeto são: Thiago Thiago de Mello, Edu Keip, Renato Frazão, Marcelo Fedrá, Pedro Ivo, Mauro Aguiar, João Nabuco, Pedro Sá Moraes, João Cavalcanti, Thiago Amud, Manduka, Luiza Borges (pois é, rs!) e Gilberto Gil. E aí? A vida é um dia só, vamos juntos?

Gente que é chama!

Vem disco novo por aí! Nele, 3 compositores de um coletivo cheio de força criativa figuram algumas canções do repertório! Uma sorte danada ter cruzado com estes trabalhos e vê-los formar um grupo valoroso e inspirador, que nos estimula a pensar as ideias e movimentos artísticos a partir da união! Junto é mais gostoso, junto é o caminho, junto é o futuro! =) 

Enquanto mais notícias do disco não vem, um pouquinho da história desses meninos:

 

 

Técnica

Esse aqui não está no "Silêncio Absoluto", futuro livro de poemas a ser lançado no meio do ano (oba!!!), mas está no ar... =)

Cantar, cantar, cantar
até poder calar.
Pensar, pensar, pensar
até poder sentir.
Sentir, sentir, sentir
até se libertar.
Fazer, fazer, fazer
até poder parar.
Saber, saber, saber
até se esquecer.
Mudar, mudar, mudar
até poder só ser.
Estar, estar, estar
até se integrar.
Morrer, morrer, morrer
até poder nascer.

SILÊNCIO ABSOLUTO

A força criadora de 2016 chegou por aqui! O poema abaixo nasceu em Janeiro, carrega o estado por trás de aprendizados longos, e, como sempre, incompletos. Mas, embora eu não alcance a riqueza do silênico, o amo absolutamente! ;-) Foi o último poema a entrar no livro que lançarei esse ano (pois é! dá pra acreditar?), pela editora Literacidade, em razão do Prêmio Literacidade 2015. Nele estão poesias escritas nos últimos 5 anos, se relacionando mais harmoniosamente do que eu poderia imaginar. O livro também se chama SILÊNCIO ABSOLUTO, essa expressão já andava por lá... mas agora temos um poema representante do todo, que sorte! Obrigada Janeiro, meu mês de aniversário renascedor, obrigada silêncio, grande professor de mim! =)

                                              Capa belíssima feita pelo  Pedro Garcia!  

                                             Capa belíssima feita pelo Pedro Garcia! 

 

 

Para navegar pelas correntezas do viver de cada grão

Nos segundos em que se percebe a imensidão

E a impossibilidade do crescer que a gente quer

E o inalcançável existir que a gente é

Para navegar pelas certezas desse chão

Que amanhã virão no mais profundo duvidar

Com outros prazeres e outras dores pra se amar

E outros saberes para não se acreditar

Para navegar dentro do peito em lama crua

E nos pensamentos com as fantasias nuas

Não é pra qualquer um

Não é pra qualquer um

É pra quem entendeu o Deus Nenhum.

 

Para navegar nas fatalidades de viver sem se mentir

Com a coragem de só se mexer quando se ouvir

Nas possibilidades do crescer que a gente é

Na felicidade de existir no que se quer

Para navegar pelas riquezas desse chão

Que ontem eram o quinhão mais feio de mostrar

Com pavores belos para se apaixonar

Que guardavam elos com a luz do transformar

Para navegar o corpo em suas chaves nuas

E fantasiar a alma com verdades cruas

É pra todos nós

É pra todos nós

Pros Deuses do Silêncio em cada Voz.