Toda Voz Importa <3!

Nos dias em que a gente corre
atrás do próprio lastro
e alguma coisa morre
porque o nosso mastro se perdeu,

ou o astro de outra constelação
avisa ao nosso chão
que a luz deixou um rastro
e a gente se esqueceu de acompanhar

aquilo que já esteve dentro -
a bússola que prometia portas -
são dias de querer que o tempo
retorne atrás das vias tortas,

ao invés de recordar pro peito

o tempo da velha lição:

de toda voz é o direito

do próprio brilho e direção,

opção simples e pura,
que mesmo obscura, exporta.
Pra fora é a voz que cura.
Se cura, é a voz que importa.


Várias por dia

As coisas de que já cansei
às vezes me assombram no ouvido,
eu quedo por elas no instante
como tivesse esquecido
a mensagem marcante no peito: "não".
Nelas eu nunca prossigo.

Há coisas de que tenho medo
cutucando um nó na barriga,
delas eu fujo em segredo
como gostasse da briga
entre a vontade e o enredo:
"sim! Duvido".
Com elas eu caço o sentido.

Nas coisas que me fazem mal
e que não consigo largar
escondo uma âncora tal
que é quase um ignorar
de toda a noção de perigo:
"não seja o seu inimigo".
Essas me laçam. No umbigo.

Versos bobos para dias sem rede

Eu vou lá, volto já, me esbaldei

pelo meu sumidouro bebendo viver.

Outro dia retorno com o ouro

que as mãos do sumiço garimpam no ser.

 

Esquecerei de provar

que conheço o fogo que sobe do chão

escolherei caminhar

sem ninguém para me testemunhar na paixão.

Não estranhe a falta de vídeos,

a falta das fotos de auto promoção,

e a ausência da minha esperança sincera

nos passos da reconstrução.

 

Não espante o silêncio, o vagar

e o desinteresse aparente em mim,

eu só sumo porque sei voltar

e se volto melhor é porque sumo assim. 

 

Eu vou lá, volto já, me esbaldei

pelo meu sumidouro bebendo viver.

Outro dia retorno com o ouro

que as mãos do sumiço garimpam no ser.

 

 

 

Dias de ser mais inteligente

Mais uma de 2017 - DOR

 

Quando dói, dói.

Não há mais nada a fazer.

Não há porque mentir o pungente.

Não se faz questão de sofrer.

Não se finge estar contente.

A dor não desgraça

se fala e passa.

Dói, deixando vergonha na gente.

É uma verdade que brota e invade

e limpa o caminho da frente.

Doer sem correr para as vaidades,

na realidade, encurta o tempo.

Doer sem medrar.

Dor pra não segurar.

Dias de ser mais inteligente.

A velha em mim

Poesia de 2017, burilada no meio de preciosos furacões.

Daquela engrenagem velha que mora em cada um de nós se confundindo com o olhar de lince que se acumula em cada um de nós.  ;-) 

 

Na parte de mim mais vazia

a raposa velha anestesia

meu andar, meu olhar, minha via,

com a sua cartilha mais fria.

Me aponta sinais do futuro

mais próximo, rápido e duro,

elenca o bolor de ilusões,

amarga as pré-relações.

Que esperança existe pra mim,

se a raposa mais velha é o fim

de todas as novas estradas

e das esquinas ultrapassadas?

Se ela nunca estiver errada,

mesmo assim, posso ser feliz?

Se ela sempre estiver magoada,

mesmo assim, posso ser feliz?

Se ela nunca estiver descansada,

mesmo assim posso ser feliz?

E se de tudo não souber nada,

mesmo assim posso ser feliz?


Voltei

Vai ter chuva de texto por aqui outra vez. Bom, chuva de texto mesmo nunca rolou nesse blog, mas agora uma presente tempestade, ao menos, eu garanto. Muito possivelmente serei eu a mais entusiasta de toda essa água, amo esse entusiasmo e está tudo bem. Se você for de ler novas palavras escritas, divirta-se. Aviso também, falando em amor, que garanto amadorismo. Como não estudei letras - foram mais as notas e as letras em cima delas - só amar salva essa minha necessidade de escrever; quem ama muito, move. ;-)

O poema abaixo foi feito hoje, há poucas horas, sem nome e sem livro porque o segundo livro tá lá no futuro. É, sou amadora a esse ponto. =) 

 

Decidindo fazer o que queria

imaginava, mas não sabia da importância

que aquela outra perderia.

Uma outra que ela mesma não podia,

com a força que acendia todo dia,

retirar de uma vez da sua forma.

Uma coisa de temperatura morna

cujo preço só se paga com o tempo,

animal de genial funcionamento

que por ela procurava toda sorte,

mas levava sempre alguma coisa embora

aumentando em um segundo cada hora

e a cobrança eram corrosivas mortes.

Assim não há gente que suporte

lidar com a alegria ou com a mágoa

e uma mulher - mesmo que forte - sempre chora,

mesmo sem som, mesmo sem água.

Mesmo sorrindo por fora,

uma mulher sempre chora

quando enxerga o horizonte

mas certa coisa devora

a sua força na fonte.

Onde está o impulso de viver?

Onde vive o saber em cada bicho?

Decidindo o que queria fazer

sem pesar ela apontou pro lixo

sua fruta apodrecida do prazer.

Decidindo fazer o que queria

imaginava, imaginava, imaginava.

E não sabia que uma parcela

dentro de si regenerava.

Se libertava timidamente a nova espécie,

que se pensava e existia.