A velha em mim

Poesia de 2017, burilada no meio de preciosos furacões.

Daquela engrenagem velha que mora em cada um de nós se confundindo com o olhar de lince que se acumula em cada um de nós.  ;-) 

 

Na parte de mim mais vazia

a raposa velha anestesia

meu andar, meu olhar, minha via,

com a sua cartilha mais fria.

Me aponta sinais do futuro

mais próximo, rápido e duro,

elenca o bolor de ilusões,

amarga as pré-relações.

Que esperança existe pra mim,

se a raposa mais velha é o fim

de todas as novas estradas

e das esquinas ultrapassadas?

Se ela nunca estiver errada,

mesmo assim, posso ser feliz?

Se ela sempre estiver magoada,

mesmo assim, posso ser feliz?

Se ela nunca estiver descansada,

mesmo assim posso ser feliz?

E se de tudo não souber nada,

mesmo assim posso ser feliz?