Voltei

Vai ter chuva de texto por aqui outra vez. Bom, chuva de texto mesmo nunca rolou nesse blog, mas agora uma presente tempestade, ao menos, eu garanto. Muito possivelmente serei eu a mais entusiasta de toda essa água, amo esse entusiasmo e está tudo bem. Se você for de ler novas palavras escritas, divirta-se. Aviso também, falando em amor, que garanto amadorismo. Como não estudei letras - foram mais as notas e as letras em cima delas - só amar salva essa minha necessidade de escrever; quem ama muito, move. ;-)

O poema abaixo foi feito hoje, há poucas horas, sem nome e sem livro porque o segundo livro tá lá no futuro. É, sou amadora a esse ponto. =) 

 

Decidindo fazer o que queria

imaginava, mas não sabia da importância

que aquela outra perderia.

Uma outra que ela mesma não podia,

com a força que acendia todo dia,

retirar de uma vez da sua forma.

Uma coisa de temperatura morna

cujo preço só se paga com o tempo,

animal de genial funcionamento

que por ela procurava toda sorte,

mas levava sempre alguma coisa embora

aumentando em um segundo cada hora

e a cobrança era sempre alguma morte.

Assim não há gente que suporte

lidar com a alegria ou com a mágoa

e uma mulher - mesmo que forte - sempre chora,

mesmo sem som, mesmo sem água.

Mesmo sorrindo por fora,

uma mulher sempre chora

quando enxerga o horizonte

e certa coisa devora

a sua força na fonte.

Onde está o impulso de viver?

Onde está o viver em cada bicho?

Decidindo o que queria fazer

sem saber ela apontou pro lixo

a fruta apodrecida do prazer.

Decidindo fazer o que queria

imaginava, imaginava, imaginava

mas não sabia que uma parcela

dentro de si regenerava.

Timidamente a nova espécie se pensava

e existia.