SILÊNCIO ABSOLUTO

A força criadora de 2016 chegou por aqui! O poema abaixo nasceu em Janeiro, carrega o estado por trás de aprendizados longos, e, como sempre, incompletos. Mas, embora eu não alcance a riqueza do silênico, o amo absolutamente! ;-) Foi o último poema a entrar no livro que lançarei esse ano (pois é! dá pra acreditar?), pela editora Literacidade, em razão do Prêmio Literacidade 2015. Nele estão poesias escritas nos últimos 5 anos, se relacionando mais harmoniosamente do que eu poderia imaginar. O livro também se chama SILÊNCIO ABSOLUTO, essa expressão já andava por lá... mas agora temos um poema representante do todo, que sorte! Obrigada Janeiro, meu mês de aniversário renascedor, obrigada silêncio, grande professor de mim! =)

                                             Capa belíssima feita pelo Pedro Garcia! 

                                             Capa belíssima feita pelo Pedro Garcia! 

 

 

Para navegar pelas correntezas do viver de cada grão

Nos segundos em que se percebe a imensidão

E a impossibilidade do crescer que a gente quer

E o inalcançável existir que a gente é

Para navegar pelas certezas desse chão

Que amanhã virão no mais profundo duvidar

Com outros prazeres e outras dores pra se amar

E outros saberes para não se acreditar

Para navegar dentro do peito em lama crua

E nos pensamentos com as fantasias nuas

Não é pra qualquer um

Não é pra qualquer um

É pra quem entendeu o Deus Nenhum.

 

Para navegar nas fatalidades de viver sem se mentir

Com a coragem de só se mexer quando se ouvir

Nas possibilidades do crescer que a gente é

Na felicidade de existir no que se quer

Para navegar pelas riquezas desse chão

Que ontem eram o quinhão mais feio de mostrar

Com pavores belos para se apaixonar

Que guardavam elos com a luz do transformar

Para navegar o corpo em suas chaves nuas

E fantasiar a alma com verdades cruas

É pra todos nós

É pra todos nós

Pros Deuses do Silêncio em cada Voz.