Versos bobos para dias sem rede

Quando eu sumir não estranhe,

na minha engrenagem desaparecer

é um pequeno vexame

que a minha saúde precisa manter.

 

Vou  esquecer de provar

que conheço o fogo que sobe do chão

e escolher caminhar

sem ninguém para testemunhar a paixão.

 

Não estranhe a falta de vídeos,

a falta das fotos de auto promoção,

e a ausência da minha esperança sincera

nos passos da reconstrução.

 

Não espante o silêncio, o vagar

e o desinteresse aparente em mim,

eu só sumo porque sei voltar

e se volto melhor é porque sumo assim. 

 

Eu vou lá, volto já, me esbaldei

pelo meu sumidouro bebendo viver.

Outro dia retorno com o ouro

que as mãos do sumiço garimpam no ser.

 

 

 

Dias de ser mais inteligente

Mais uma de 2017

 

DOR

Quando dói, dói.

Não há mais nada a fazer.

Não há porque mentir o pungente.

Não se faz questão de sofrer.

Não se finge estar contente.

A dor não desgraça

se fala e passa.

Dói, deixando vergonha na gente.

É uma verdade que brota e invade

e limpa o caminho da frente.

Doer sem correr para as vaidades,

na realidade, encurta o tempo.

Doer sem medrar.

Dor pra não segurar.

Dias de ser mais inteligente.

A velha em mim

Poesia de 2017, burilada no meio de preciosos furacões.

Daquela engrenagem velha que mora em cada um de nós se confundindo com o olhar de lince que se acumula em cada um de nós.  ;-) 

A VELHA EM MIM

 

Na parte de mim mais vazia

a raposa velha anestesia

meu andar, meu olhar, minha via,

com a sua cartilha mais fria.

 

Me aponta sinais de um futuro

próximo, rápido e duro,

de verdades e  ilusões,

das cidades e dos corações.

 

Que esperança existe pra mim,

se a raposa mais velha é o fim

de todas as novas estradas,

das esquinas ultrapassadas? 

 

E se ela nunca estiver errada,

mesmo assim, posso ser feliz?

Se ela sempre estiver magoada,

mesmo assim, posso ser feliz?

 

Se ela nunca estiver descansada,

mesmo assim posso ser feliz?

E se de tudo não souber nada,

mesmo assim posso ser feliz?

 

Voltei

Vai ter chuva de texto por aqui outra vez. Bom, chuva de texto mesmo nunca rolou nesse blog, mas agora uma presente tempestade, ao menos, eu garanto. Muito possivelmente serei eu a mais entusiasta de toda essa água, amo esse entusiasmo e está tudo bem. Se você for de ler novas palavras escritas, divirta-se. Aviso também, falando em amor, que garanto amadorismo. Como não estudei letras - foram mais as notas e as letras em cima delas - só amar salva essa minha necessidade de escrever; quem ama muito, move. ;-)

O poema abaixo foi feito hoje, há poucas horas, sem nome e sem livro porque o segundo livro tá lá no futuro. É, sou amadora a esse ponto. =) 

 

Decidindo fazer o que queria

imaginava, mas não sabia da importância

que aquela outra perderia.

Uma outra que ela mesma não podia,

com a força que acendia todo dia,

retirar de uma vez da sua forma.

Uma coisa de temperatura morna

cujo preço só se paga com o tempo,

animal de genial funcionamento

que por ela procurava toda sorte,

mas levava sempre alguma coisa embora

aumentando em um segundo cada hora

e a cobrança era sempre alguma morte.

Assim não há gente que suporte

lidar com a alegria ou com a mágoa

e uma mulher - mesmo que forte - sempre chora,

mesmo sem som, mesmo sem água.

Mesmo sorrindo por fora,

uma mulher sempre chora

quando enxerga o horizonte

e certa coisa devora

a sua força na fonte.

Onde está o impulso de viver?

Onde está o viver em cada bicho?

Decidindo o que queria fazer

sem saber ela apontou pro lixo

a fruta apodrecida do prazer.

Decidindo fazer o que queria

imaginava, imaginava, imaginava

mas não sabia que uma parcela

dentro de si regenerava.

Timidamente a nova espécie se pensava

e existia.

Alumbramento Coletivo

"Certezas Inacreditáveis" é o nome do novo show cujas fotos, músicas e depoimentos você pode ver, ou já deve ter visto, na home desse site! =) É também o nome do disco que vamos gravar, finalizar e lançar junto com você que está nos lendo! Neste plural estou eu, Luiza Borges, cantora que criou o projeto em  2014, e uma equipe que foi crescendo até chegarmos a esse momento coletivo!

Tudo começou depois que encerrei quase dois anos de shows de lançamento do meu primeiro disco, o "Romanceiro". Eu sentia vontade de representar outras músicas e mensagens e iniciei nova pesquisa de repertório, foi quando me deparei com a composição de Thiago Thiago de Mello e Edu Kneip: "Certezas Inacreditáveis". Assim que escutei fiquei imensamente feliz, era o nome e o norte do show!

Seus versos "na correnteza deixei a certeza de nunca crer no que não se vê e acreditando fui relampiando e me desafiando a poder enxergar, esse segredo não é arremedo, eu juro tão cedo jamais duvidar do que há", falaram alto ao meu coração. Me trouxeram um personagem que ao se ver de encontro consigo decide não mais duvidar de suas verdades, de suas certezas  mais íntimas, de sua relação com a realidade que o cerca.

Era exatamente esse o espírito que já aparecia em todo novo repertório, então a canção virou o título do trabalho! De maneiras diversas as músicas de "Certezas Inacreditáveis" nos direcionam para um auto contato e instigam nossa expressividade, juntas viram um incentivo para que toquemos nossos universos íntimos e com eles (re) vivamos o mundo externo.

Desde Outubro do então 2014 até Dezembro de 2015 o show percorreu mais de 10 teatros no Rio e o repertório foi ampliado, testado, transformado e sempre muito bem recebido! Sempre também apresentado no formato voz e violão, ao lado do grande violonista e parceiro de trabalho André Siqueira. Já na estreia o pessoal perguntava quando teria ou se já havia CD!

Chegou 2016 e senti que não devíamos mais esperar o patrocínio chegar, com tantos amigos e ouvintes queridos desejando e indagando por esse disco, considerando a vontade de a aprofundar as possibilidades de comunicação com todos aqueles que passam pelos meus trabalhos, o financiamento coletivo me pareceu o caminho mais sincrônico de todos! 

Juntos, sei que é possível caminharmos em direção ao lugar mais interessante do amanhã, como diz a música título do disco: "tem que acreditar, não é lenda, eu vi", e eu acredito! ;-)

As recompensas desse financiamento foram pensadas para que estejamos de fato trocando e construindo algo que seja bom para todos os envolvidos. Se as músicas aqui explanadas lhe interessarem e inspirarem, que bom será poder contar com seu investimento anterior para que elas cheguem a você posteriormente! Mas, porque não ir além? Aqui lhe oferecemos desde aulas de voz falada e cantada (particulares ou em grupo) até audição das canções do disco com café da manhã saudável e sessão de acupuntura! Sim, incentivar o auto-contato e a comunicação não é só uma característica do disco, é um posicionamento da artista que voz fala e eu desejo que possamos ampliar essas experiências ao máximo durante esse processo inacreditável de certezas! =)

Vamos à equipe envolvida no projeto: adaptando e ampliando os arranjos de show para o CD temos o já citado André Siqueira, que assina também a direção musical. Na produção musical contamos com o trabalho maravilhoso e minucioso de Tássio Ramos, que também somará com seu baixo elétrico. Super Pantico Rocha assume a bateria e ao longo da obra poderemos ouvir as participações fina-flor de: Rodolfo Cardoso, Denize Rodrigues, Bernardo Aguiar, Carlos Malta, Luiz Augusto, Bernardo Diniz e André Geiger. O disco está sendo gravado com João Ferraz, no estúdio Lontra e Henrique Vilhena assume a mágica da mixagem, Luiz Tornaghui na masterização. Ainda temos a sorte de ter Marcelo Fedrá nos registros visuais e Pedro Garcia na arte da capa e do livreto do disco. Além, é claro, da galera do Embolacha, parceiros que conheço desde que distribuí com eles meu primeiro CD.

A grana do financiamento irá precisamente para o pagamento do estúdio de gravação, da mixagem e da masterização, da prensagem, de alguns pequenos custos de produção e do lançamento do álbum, além é claro de cobrir as próprias recompensas.

Os compositores-maravilha presentes no projeto são: Thiago Thiago de Mello, Edu Keip, Renato Frazão, Marcelo Fedrá, Pedro Ivo, Mauro Aguiar, João Nabuco, Pedro Sá Moraes, João Cavalcanti, Thiago Amud, Manduka, Luiza Borges (pois é, rs!) e Gilberto Gil. E aí? A vida é um dia só, vamos juntos?